quarta-feira, novembro 17, 2004

CECÍLIA MEIRELES

"Há pessoas que nos falam...
E nem as escutamos.
Há pessoas que nos ferem...
E nem cicatrizes deixam.
Mas há pessoas que simplesmente...
Aparecem em nossa vida...
E nos marcam para sempre".

ecília Meireles (1901-1964) é a primeira grande escritora da literatura
brasileira e a principal voz feminina de nossa poesia moderna. Sua obra privilegia a riqueza do léxico,
numa linguagem que explora os símbolos e as imagens sugestivas, sobretudo os de forte apelo sensorial, enveredando inclusive pela musicalidade.

Cecília Meirelles teve um papel importante na cena intelectual e política de
seu tempo. Em 1922 ligou-se às vanguardas modernistas. Em 1938 ganhou
o importante Prêmio de Poesia, concedido pela Academia Brasileira de Letras,
pelo livro Viagem. Atuou no jornalismo, que despontava e se desenvolvia
surpreendentemente na época. Escrevia diariamente sobre os problemas da
educação, de 1930 a 1934, no Diário de Notícias. Não poupava críticas à
ditadura do Estado Novo implantada pelo então presidente da República
Getúlio Vargas. Criou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro.
deu aulas de literatura na Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ,
e fez conferências nos Estados Unidos, Europa, Ásia e África.
Em 1964 a poetisa morre, no Rio de Janeiro, de câncer.

u se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.



Poema infantil organizado em torno de sucessão de oposições, apoiado na
construção alternativa, diante de várias possibilidades, precisamos ser capazes
de optar, decidir, assumir. Neutralidade não existe.

Minha poetisa preferida, pelos 40 anos de sua morte.

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